O que «100 % do lucro» significa aqui.
Dizer que o lucro não fica connosco só vale se se puder verificar. Esta página mostra a cascata inteira, de cada euro que entra ao que sobra no fim, e diz sem rodeios para onde foi o que saiu.
Versão de demonstração: os números de operação e os nomes de clientes e de organizações são ilustrativos, e servem para mostrar o modelo a funcionar. O percurso dos sócios e os estudos citados são reais e verificáveis. Os valores da casa entram aqui, auditados, à medida que existirem.
Devolvemos de duas maneiras, e só uma delas é dinheiro.
A primeira é a que aparece numa conta de resultados: o excedente sai por inteiro, com o nome de quem o recebeu. A segunda não aparece em conta nenhuma, e é a maior: 412 organizações usam as ferramentas todos os dias e nunca recebem uma factura. Contar só a primeira era cómodo, e seria enganador.
231 000 €
Por ano, cerca de 561 € por organização. É o que sai da nossa conta para as 412 organizações trabalharem, e está dentro dos custos directos e dos salários da cascata abaixo.
Ao preço de tabela, o que elas usam vale 1 290 000 €, ou 37,9 % da nossa receita. É o número maior e é o que a maioria publicaria primeiro. Preço de tabela e custo real não são a mesma coisa, e quem mostra só o primeiro está a inflacionar a própria generosidade.
252 000 €
Por ano, com nome e data de cada transferência. 100 % do lucro, o que dá 7,4 % da receita.
Este é o número pequeno, e publicamo-lo de propósito. Quem só mostra os 100 % está a esconder o denominador, e esconder o denominador é o truque mais comum deste sector.
948
330
618
100 % do lucro. E o lucro é depois dos salários.
Esta é a pergunta que qualquer pessoa atenta faz primeiro, e merece resposta antes de qualquer gráfico: quem cá trabalha recebe um salário. Os salários são um custo do negócio, como os servidores e a electricidade. O que chamamos lucro é o que sobra depois de tudo isso estar pago.
Nenhuma organização deste movimento diz outra coisa, e vale a pena ser claro sobre isso em vez de deixar a ambiguidade trabalhar a nosso favor. Ninguém dá 100 % da receita; seria impossível e duraria um trimestre.
O tecto é o que impede isto de ser uma promessa vazia. Sem um limite declarado ao que os sócios podem retirar, «100 % do lucro» esvazia-se sozinho: bastava subir os custos até não sobrar lucro nenhum. O tecto é a parte incómoda, e é a única que conta.
Uma estrutura subpaga é impacto que definha.
A pergunta céptica é justa e chega sempre: se dão 100 % do lucro, quem é que vos paga? A resposta curta é que nos pagamos a nós, com tecto e à vista. A resposta longa é que pagar bem a estrutura faz parte da missão, e vale a pena explicar porquê antes de mostrar a conta.
As contas de tecnologia são o instrumento do trabalho
A maior fatia dos custos directos desta casa são contas de inteligência artificial e das ferramentas que fazem o trabalho. É o que permite a uma empresa pequena entregar a um negócio pequeno aquilo que, até há pouco, só uma grande agência entregava a uma grande marca. Cortar aqui corta a única coisa que põe um negócio de bairro a competir com quem tem orçamento de milhões.
A pressão para reduzir a estrutura ao mínimo tem nome na literatura, starvation cycle, e está documentada desde 2009 na Stanford Social Innovation Review. Em 2013, as três maiores avaliadoras de caridades americanas assinaram uma carta aberta a pedir que se parasse de julgar organizações pelo peso da estrutura.
Quem trabalha aqui também é impacto
Olhamos para todos os stakeholders como impacto, e as pessoas que cá trabalham são um deles. Um salário digno e boas condições são a missão aplicada a quem está mais perto dela. Uma casa que pede sacrifício aos seus para poder anunciar um número maior está a comprar a manchete com o bem-estar de alguém.
Em agências de serviços profissionais, os salários pesam tipicamente 45–55 % da receita (BenchPress · Wow UK). Metade da receita a pagar pessoas é o normal da indústria, e o número desta casa está aqui em baixo, ao lado do tecto.
O tecto, escrito por extenso.
O limite é de 10 000 € por mês e por sócio, somos três, e é o máximo que algum dia haverá. Está atingido, e a partir daqui o número deixa de subir por muito que a receita cresça. Um limite que só existe enquanto é confortável não é um limite.
5,9 ×
Contra os 1 694 € por mês do salário médio em Portugal (INE, 2025). Fica dentro da banda em que se movem as cooperativas e as certificações de rácio, a Mondragon vota tectos entre 3:1 e 9:1 e a certificação Wagemark exige 8:1, e longe do 192:1 que é a mediana das empresas do S&P 500.
43,0 %
Vinte e quatro pessoas, salários e benefícios incluídos. Para dar escala: a Ecosia publica o custo de pessoal como rubrica e vai nos 15,1 % da receita, mas vende leilões de anúncios; quem vende horas anda na banda dos 45–55 % acima.
O tecto aparece aqui, dentro da rubrica e com os denominadores ao lado, em vez de num comunicado à parte. A razão é medida: o que incomoda quem lê é a manchete, e o salário quase nunca chega a ser o problema. Nas organizações estudadas por Galle e Walker (Nonprofit and Voluntary Sector Quarterly, 2016), entrar num ranking dos salários mais altos custou até 5,0 M$ em donativos no ano seguinte, e o que pesava era a compensação face à despesa, não o valor em si. Publicar um número sem denominador é fabricar a própria manchete.
Três torneiras, e a primeira é a que sustenta as outras duas.
A ordem importa para entender a casa: se a venda a negócios pequenos parar, as outras duas linhas não seguram nada. É por isso que a exigência comercial aqui é a mesma de qualquer empresa que precise de sobreviver.
1340 negócios a pagar entre 79 € e 249 € por mês. É esta linha que sustenta as outras duas.
2 400 pessoas a contribuir todos os meses, a partir de 20 €.
330 módulos pagos ao preço de tabela por alguém de fora, para uma organização concreta os usar.
De cada euro que entra, o que é que chega ao fim.
A conta do ano inteiro, por rubrica e por esta ordem. A linha do fim é a que dá o nome à casa.
Tudo o que entra: produtos vendidos, contribuições e apadrinhamentos.
Contas de inteligência artificial, infra-estrutura, ferramentas e pagamentos.
Quem escreveu um workflow que está no catálogo recebe uma parte de cada venda. Sai antes do lucro, como qualquer fornecedor.
Vinte e quatro pessoas. Isto é custo, não donativo, e é o ponto que mais se pergunta.
Almofada para meses maus. Sem ela, a promessa quebra no primeiro trimestre fraco.
O que volta ao produto para servir mais organizações no ano seguinte.
Três sócios, 10 000 € por mês cada, e é o máximo que algum dia haverá. O tecto está atingido e o número deixou de subir.
100 % disto sai, com nome e data. Não há dividendos, não há acumulação.
Nota sobre a linha dos autores da comunidade: 170 000 € foram pagos a 63 pessoas que escreveram módulos que estão hoje no catálogo. Sai antes do lucro, como qualquer fornecedor, e está à vista em vez de escondido nos custos directos, porque é a rubrica que mais explica como a comunidade funciona. Como isso está montado.
Todos os meses, quanto entrou e para onde foi.
A cadência copia-se da Ecosia, que publica um relatório financeiro mensal com os projectos apoiados naquele mês, e um relatório anual mais longo auditado por terceiros. Um relatório sem destino nomeado é uma folha de cálculo com boa apresentação.
| Mês | Receita | Excedente | Para onde foi |
|---|---|---|---|
| Último mês fechado | 312 400 € | 21 600 € | Pontes de Bissau (13 600 €) · Colectivo Girassol (8 000 €) |
| Mês anterior | 304 100 € | 24 100 € | Rede Alvorada (14 100 €) · Mão na Terra (10 000 €) |
| Dois meses antes | 297 800 € | 19 800 € | Instituto Passo Seguro (19 800 €) |
| Três meses antes | 291 200 € | 22 400 € | Semear Nampula (12 000 €) · Casa do Vento Norte (10 400 €) |
O excedente oscila de mês para mês, e há meses em que é mais baixo do que gostaríamos. Publicamos os maus com a mesma pontualidade dos bons, porque uma série que só tem meses bons é uma série escolhida. E antes que alguém faça a conta: multiplicar o último mês por doze dá mais do que a receita anual acima, porque a casa cresceu ao longo do ano. O anual é o que aconteceu, o mensal é onde estamos.
A ordem importa: primeiro a estrutura, depois a auditoria, só então o anúncio.
Comunicar um compromisso antes de o blindar juridicamente é o caminho mais rápido para uma acusação de impact-washing, e é merecida quando acontece. Por isso o que está aqui em baixo tem mecanismo em vez de adjectivos.
- Fórmula do excedente
- Escrita e pública. Excedente é o que sobra depois de custos directos, pagamentos a autores, salários, reserva e reinvestimento, e sai por inteiro. Alterá-la exige acordo dos três sócios e passa a constar aqui com a data da mudança.
- Estrutura legal que a blinda
- Steward-ownership europeia: o controlo está separado do direito ao lucro, não há exit possível e nenhum sócio pode vender a sua parte a quem queira mudar isto.
- Auditoria externa
- Anual, por sociedade de revisores oficiais de contas independente, com o nome do auditor e o relatório completo publicados aqui.
- Comité de alocação
- Maioria de membros externos decide para onde vai o excedente. Zero transferências para entidades ligadas aos sócios ou às famílias, e a declaração de interesses de cada sócio sai no mesmo documento.
Vinte e seis cêntimos.
Alex Amouyel, que dirige a fundação da Newman’s Own, conta uma história de um restaurante em Miami: uma couve-flor a 26 dólares, e no menu o anúncio orgulhoso de que 1 % das receitas daquele prato vai para organizações ambientais. Vinte e seis cêntimos, e só daquele prato. Pede a burrata e o planeta que se arranje.
O que ela diz a seguir é a razão de esta página existir: este tipo de gesto é pior do que não fazer nada, porque torna indistinguível quem faz trabalho a sério de quem é bom a comunicar o pouco que faz. Quando toda a gente diz que ajuda, dizer que se ajuda deixa de valer alguma coisa, e a única saída é mostrar as contas.
É também por isso que a régua que aplicamos a nós é a mesma que gostaríamos de aplicar aos outros: se não consegues explicar como ajudas, e mostrar quanto, então és a couve-flor.
Can salad dressing transform capitalism? · Alex Amouyel, TED, 2024.
Não inventámos isto. Entrámos num movimento com quarenta anos.
Dar todo o lucro soa radical até se ver quanta gente já o faz, e há quanto tempo. Começou com um actor obcecado por molho de salada em 1982, e hoje tem nome próprio, 100 % for Purpose, e uma casa que o coordena.
Newman’s Own
desde 1982 · > 600 M$ doados
Comida. A fundação detém a empresa; o board da empresa reporta ao da fundação.
Humanitix
desde 2016 · > 10 M$ doados
Bilhética de eventos. Software, rentável ao 8.º ano, e nunca aceitou um dólar de venture capital. É o mais parecido connosco.
Ecosia
desde 2009 · > 91 M€ · 200 M árvores
Motor de busca. Publica relatório financeiro todos os meses. Em 2018 tornou-se invendável.
Patagonia
desde 2022 · dividendos anuais
Vestuário. O fundador declarou a Terra o único accionista.
Thankyou
desde 2008 · 18,55 M$ angariados
Produtos de consumo, detidos a 100 % por um trust de caridade.
Grameen · SEWA
desde 1976 · 1972 · milhões de membros
Microcrédito no Bangladesh e trabalhadoras independentes na Índia.
Onde estamos nós: somos os mais pequenos desta lista, e de longe. O que temos em comum com eles é a estrutura, e é essa que interessa comparar. 100forpurpose.org
Se encontrares um buraco nisto, diz.
Esta página foi escrita a contar que alguém a leia à procura do truque. Se houver um número que não fecha, uma promessa sem mecanismo ou uma definição conveniente, queremos saber, e preferimos saber por ti do que por um jornalista.