Duas pontas que se procuram há muito tempo.
De um lado há quem tenha fundado algo pequeno e verdadeiro, e trabalhe todos os dias com meios a menos e horas a mais. Do outro há quem tenha meios, competência e algum tempo disponível, e sinta um vazio de propósito que uma transferência anual para uma instituição nunca chega a preencher.
Estas duas pontas raramente se encontram, e a razão é banal: falta a mesa onde se sentem. A comunidade da Unprofit é essa mesa. Junta quem sabe fazer com quem precisa que se faça, e trata os dois lados como aquilo que são, pares com competências diferentes e escalas diferentes de sorte.
Entra-se por uma de quatro portas: dinheiro, tempo, construção, apadrinhamento. Há quem entre por uma e acabe pelas quatro, e há quem faça uma coisa só, bem feita, todos os meses, durante anos. As duas formas contam igual.
O tamanho, e o que o tamanho não diz.
Cada número aqui leva por baixo a linha que o torna legível, incluindo o que foi recusado e o que ainda não deu em nada. Um número sozinho é sempre uma meia verdade, e esta casa argumenta que se julgue pelas contas.
A média é 24,70 €/mês e o mínimo é 20 €/mês. O núcleo activo, gente que também dá tempo ou constrói, são 1 000 pessoas.
Contamos só quem chegou ao fim de um trabalho combinado. Quem se candidatou e não encontrou projecto para a sua competência fica fora desta conta.
Foram propostos 96. Menos de metade aguentou correr com um negócio real, e é assim que a qualidade se mantém de pé.
Receberam 63 pessoas. A média anual é 2 698 € e a média esconde a distância entre quem escreveu uma peça muito vendida e quem escreveu uma peça de nicho.
São 296 padrinhos, o que quer dizer que há quem pague mais do que um. Cada módulo tem uma organização com nome do outro lado.
Servi-las custa 231 000 € por ano. Ao preço de tabela pagariam 1 290 000 €.
Contribuir com dinheiro, todos os meses.
A contribuição começa nos 20 €/mês e não tem tecto. A primeira coisa que paga é o custo de servir quem não tem como pagar, e esse custo está coberto com folga. O que passa daí paga aquilo sem o qual a folga não existiria: construir e manter o produto que essas organizações usam, e as pessoas que o fazem. Nenhum euro daqui paga cartazes, campanhas de sensibilização ou uma gala.
É a porta mais simples e a mais mal compreendida, porque a maior parte das pessoas assume que o dinheiro se dilui num fundo enorme. Aqui a conta é pequena o suficiente para se fazer de cabeça.
- O que fazes
- Escolhes quanto contribuis, a partir de 20 €/mês. Podes mudar o valor ou parar quando quiseres, e ninguém te liga a perguntar porquê.
- O que acontece a seguir
- A contribuição entra no mesmo sítio que a receita dos produtos e sai pelo mesmo lado, com as contas publicadas. Servir as 412 organizações custa 231 000 € por ano, cerca de 561 € por organização.
- O que muda para alguém
- Duas contribuições médias pagam um ano inteiro de acesso de uma organização. Uma associação de bairro passa a trabalhar com as mesmas ferramentas que um negócio paga do outro lado do catálogo, e quem as sustenta são duas pessoas que nunca lá vão.
Quem quiser ver a conta antes de a alimentar tem-na inteira, linha a linha, em transparência e contas.
Dar tempo, com aquilo que sabes fazer bem.
Candidatas-te e dizes três coisas: o que sabes fazer bem, quantas horas tens de forma realista, e o que te faz sentido. A partir daí procuramos um projecto onde essa competência resolva algo que está travado, e escrevemos o resultado esperado antes de começar. Se não houver esse projecto, dizemos-te e ficas em espera, em vez de irmos inventar trabalho decorativo para justificar a tua boa vontade.
A parte que mais surpreende quem chega é perceber a escala do que já foi feito sem ela. Uma associação que acompanha 340 famílias com o orçamento de uma campanha de redes sociais tem uma competência operacional que não se aprende em nenhum escritório. Quem entra vai ensinar alguma coisa e vai aprender outra, e a ordem dessas duas troca-se várias vezes dentro do mesmo projecto.
- O que fazes
- Candidatas-te com a tua competência e com o tempo que realmente tens, sem arredondar para cima.
- O que acontece a seguir
- Emparelhamos com um projecto concreto, com um resultado escrito e uma pessoa da organização como par. Trabalha-se lado a lado, e a decisão final é sempre de quem conhece o terreno.
- O que muda para alguém
- 318 pessoas chegaram ao fim de um trabalho combinado. O que sai daí tem forma: relatórios entregues a tempo, sites que passam a existir, meses de contabilidade que fecham em horas em vez de dias.
Construir uma peça, e receber dinheiro por ela.
Esta é a porta que ninguém percebe à primeira, e vale a pena ler devagar, porque é aqui que o modelo desta casa deixa de ser uma ideia bonita e passa a ser mecânica.
Alguém da comunidade escreve um workflow ou uma automação, uma forma de fazer um trabalho que ainda não estava no catálogo. A peça passa por revisão, corre com um negócio real, e se aguentar esse teste entra na oferta da Unprofit ao lado dos módulos que já lá estavam, com o nome de quem a escreveu.
A partir desse momento a mesma peça faz duas coisas ao mesmo tempo. Um negócio com fins lucrativos compra-a e paga por ela todos os meses, e quem a escreveu recebe 20 % de cada venda, enquanto essa subscrição se mantiver. Uma organização de impacto usa exactamente a mesma peça, sem pagar nada por ela.
Vale fixar de onde vem esse pagamento, porque é o ponto que se lê ao contrário com mais facilidade. Quem paga o autor é o negócio comercial, do outro lado do catálogo. Do lado da organização de impacto não sai um euro, e o dinheiro também não vem de um fundo de donativos. A peça paga-se a si própria de um lado e é entregue de graça do outro, e as duas coisas acontecem ao mesmo tempo porque o dinheiro corre numa direcção só.
Nas contas isto aparece como custo, na linha «Pago a autores da comunidade», antes de se falar de lucro, exactamente como qualquer outro fornecedor. Foram 170 000 € num ano, para 63 autores. Há peças escritas por mais de uma pessoa, e por isso os autores pagos são mais do que os 41 workflows no catálogo. A média anual dá 2 698 €, com muita distância entre o topo e a base: para uns é um rendimento que conta ao fim do mês, para outros é um jantar fora.
Também vale dizer o que não entra. Foram propostos 96 workflows e ficaram 41. Uma peça que não resolve um trabalho de um negócio a sério fica de fora, com a razão escrita para quem a propôs. É desagradável de receber e é a única forma de o catálogo valer o que se paga por ele.
- O que fazes
- Escreves um workflow ou uma automação que resolve um trabalho concreto, e propões.
- O que acontece a seguir
- Revisão, teste com um negócio real, entrada no catálogo com o teu nome na peça. Depois disso, 20 % de cada venda, mês após mês, sem voltares a tocar-lhe.
- O que muda para alguém
- Ganhas rendimento recorrente por trabalho que fizeste uma vez, e as 412 organizações ficam com uma ferramenta nova que ninguém teve de lhes doar.
Apadrinhar um módulo, para uma organização com nome.
Há uma coisa que esta casa diz sem contornar: não se consegue financiar tudo. Estão 948 módulos activos em organizações que não pagam. A operação cobre 618 deles, dentro dos custos do ano. Os outros 330 existem porque alguém, de fora, decidiu pagar um módulo específico para uma organização concreta o usar.
A forma mais simples de explicar isto é com a frase de quem o faz: pago 199 €/mês para a Pontes de Bissau poder estar presente nas redes. Um módulo, uma organização, o preço de tabela desse módulo. O dinheiro vai para a subscrição daquela organização e para mais nada.
O padrinho sabe o nome da organização, e a organização sabe quem paga aquele módulo. Como um módulo produz coisas, o padrinho recebe o que ele produziu: as publicações que saíram, os relatórios que foram escritos, o mês que fechou. Tem nome nas duas pontas, o que faz do apadrinhamento a maneira mais verificável de entrar aqui, e a mais difícil de transformar em conversa vaga.
São 296 padrinhos para 330 módulos, o que quer dizer que há quem pague mais do que um. Há também empresas que apadrinham uma organização inteira, e pessoas que juntam três ou quatro amigos para pagar um módulo em conjunto.
- O que fazes
- Escolhes uma organização e um módulo, e pagas o preço de tabela desse módulo, todos os meses.
- O que acontece a seguir
- O módulo é activado nessa organização no mês seguinte, e passas a receber o que ele produz.
- O que muda para alguém
- Uma organização ganha uma ferramenta que estava fora do seu alcance, sem esperar pela vez na fila do orçamento do ano.
O circuito inteiro, em seis passos.
As quatro portas parecem quatro histórias separadas até se ver o circuito de uma vez. Lido de seguida, percebe-se que cada passo tem um pagador e um recibo, e que nenhum deles depende de generosidade para acontecer no mês seguinte.
- 01
Alguém da comunidade escreve um workflow e ele passa a revisão.
- 02
Um negócio pequeno paga para o usar, entre 79 € e 249 € por mês.
- 03
Quem o escreveu recebe 20 % de cada venda, todos os meses em que essa venda se repete.
- 04
O que sobra depois de custos, salários e do tecto de retirada junta-se às contribuições e aos apadrinhamentos.
- 05
Uma organização de impacto usa o mesmo módulo e não paga nada por ele.
- 06
Essa organização começa a ter receita própria e deixa de viver de candidatura em candidatura.
O passo seis é o único que não controlamos, e é o que interessa. Uma organização com receita própria deixa de precisar de nós, e essa é a única definição de sucesso que esta casa aceita.
Três módulos que fazem falta, com nome e preço.
Estas três organizações já trabalham com o que têm. Cada uma tem um módulo de fora, e cada módulo tem um preço de tabela que uma pessoa consegue pagar sozinha. Escolher um destes cartões é a diferença entre concordar com esta página e fazer parte dela.
Casa do Vento Norte
Bragança, Portugal
Descanso e formação para cuidadores informais em 14 aldeias do interior.
Duas pessoas coordenam a operação inteira e fecham as contas à mão, ao fim do dia, quando já ninguém tem cabeça para isso.
Pontes de Bissau
Bissau, Guiné-Bissau
Saúde materna comunitária com 40 parteiras formadas.
É a organização desta lista com a melhor história para contar, e a que menos gente ouviu fora de Bissau.
Colectivo Girassol
São Tomé e Príncipe
Formação digital para jovens entre os 16 e os 24 anos.
Os formandos já fazem sites pagos para negócios da ilha. Falta quem escreva isso de forma que um financiador leia até ao fim.
Se preferires escolher outra organização, ou pagar meio módulo com mais alguém, essa conversa faz-se por email e resolve-se em dois dias.
Toda a gente tem algo a ensinar.
«Toda a gente tem algo a ensinar.»
A frase é do José, um dos três sócios, e é anterior à empresa. Ficou como regra da casa porque tem uma consequência prática que obriga a esta forma de trabalhar: se é verdade, então uma mesa em que uns falam e os outros agradecem está simplesmente mal montada.
O fundador em Nampula que faz chegar sementes, rega e formação a 1 200 famílias com um orçamento que não pagaria uma campanha sabe coisas sobre operação e escassez que não se aprendem em nenhum escritório. A designer em Berlim sabe pôr uma marca de pé em três semanas, com uma clareza que levaria meses a alguém de dentro. A padaria em Braga, que paga a subscrição e com isso sustenta as outras duas, sabe o que é ter onze pessoas a viver do que se vende amanhã. Os três sentam-se de frente por razão lógica: cada um tem aquilo que falta aos outros dois.
É por isso que aqui a palavra beneficiário não se usa, e a palavra voluntário serve para descrever quem entra sem descrever a relação. Quem contribui não é herói e quem recebe não é vítima. São duas pontas de um trabalho que só existe se as duas aparecerem, e há projectos em que a organização ensinou mais à comunidade do que o contrário.
Nada disto nos torna melhores do que ninguém. É a forma de trabalhar que escolhemos, e a única prova dela que aceitamos são as contas, publicadas todos os meses em transparência.
Escolhe a porta, escreve um email.
Não há formulário nem processo de candidatura com sete écrãs. Cada botão abre um email com as perguntas já escritas, para que a primeira resposta chegue com matéria em vez de boas intenções. Responde-se a todos, e responde-se também a quem decide não avançar.
Contribuir todos os meses
A partir de 20 €/mês. Paga horas e infra-estrutura de quem não tem como pagar, e para quando tu quiseres.
Dar tempo a um projecto
Competência aplicada a um projecto concreto, com resultado escrito antes de começar e uma pessoa da organização como par.
Apadrinhar um módulo
Um módulo, uma organização com nome, o preço de tabela. Recebes o que aquele módulo produzir.
Para construir e receber por uma peça, o caminho está na terceira maneira, com as perguntas próprias dessa porta.
Antes de dares dinheiro a quem quer que seja, vê as contas. E se a pergunta que ficou for quem está por trás disto, a resposta está em sobre nós.