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A comunidade

Duas pontas que se procuram há muito tempo.

De um lado há quem tenha fundado algo pequeno e verdadeiro, e trabalhe todos os dias com meios a menos e horas a mais. Do outro há quem tenha meios, competência e algum tempo disponível, e sinta um vazio de propósito que uma transferência anual para uma instituição nunca chega a preencher.

Estas duas pontas raramente se encontram, e a razão é banal: falta a mesa onde se sentem. A comunidade da Unprofit é essa mesa. Junta quem sabe fazer com quem precisa que se faça, e trata os dois lados como aquilo que são, pares com competências diferentes e escalas diferentes de sorte.

Entra-se por uma de quatro portas: dinheiro, tempo, construção, apadrinhamento. Há quem entre por uma e acabe pelas quatro, e há quem faça uma coisa só, bem feita, todos os meses, durante anos. As duas formas contam igual.

A comunidade em números

O tamanho, e o que o tamanho não diz.

Cada número aqui leva por baixo a linha que o torna legível, incluindo o que foi recusado e o que ainda não deu em nada. Um número sozinho é sempre uma meia verdade, e esta casa argumenta que se julgue pelas contas.

2 400pessoas contribuem todos os meses

A média é 24,70 €/mês e o mínimo é 20 €/mês. O núcleo activo, gente que também dá tempo ou constrói, são 1 000 pessoas.

318voluntários com trabalho entregue

Contamos só quem chegou ao fim de um trabalho combinado. Quem se candidatou e não encontrou projecto para a sua competência fica fora desta conta.

41workflows da comunidade no catálogo

Foram propostos 96. Menos de metade aguentou correr com um negócio real, e é assim que a qualidade se mantém de pé.

170 000 €pagos por ano a autores da comunidade

Receberam 63 pessoas. A média anual é 2 698 € e a média esconde a distância entre quem escreveu uma peça muito vendida e quem escreveu uma peça de nicho.

330módulos pagos por um padrinho

São 296 padrinhos, o que quer dizer que há quem pague mais do que um. Cada módulo tem uma organização com nome do outro lado.

412organizações usam isto sem pagar

Servi-las custa 231 000 € por ano. Ao preço de tabela pagariam 1 290 000 €.

Primeira maneira · Contribuir

Contribuir com dinheiro, todos os meses.

A contribuição começa nos 20 €/mês e não tem tecto. A primeira coisa que paga é o custo de servir quem não tem como pagar, e esse custo está coberto com folga. O que passa daí paga aquilo sem o qual a folga não existiria: construir e manter o produto que essas organizações usam, e as pessoas que o fazem. Nenhum euro daqui paga cartazes, campanhas de sensibilização ou uma gala.

É a porta mais simples e a mais mal compreendida, porque a maior parte das pessoas assume que o dinheiro se dilui num fundo enorme. Aqui a conta é pequena o suficiente para se fazer de cabeça.

O que fazes
Escolhes quanto contribuis, a partir de 20 €/mês. Podes mudar o valor ou parar quando quiseres, e ninguém te liga a perguntar porquê.
O que acontece a seguir
A contribuição entra no mesmo sítio que a receita dos produtos e sai pelo mesmo lado, com as contas publicadas. Servir as 412 organizações custa 231 000 € por ano, cerca de 561 € por organização.
O que muda para alguém
Duas contribuições médias pagam um ano inteiro de acesso de uma organização. Uma associação de bairro passa a trabalhar com as mesmas ferramentas que um negócio paga do outro lado do catálogo, e quem as sustenta são duas pessoas que nunca lá vão.

Quem quiser ver a conta antes de a alimentar tem-na inteira, linha a linha, em transparência e contas.

Segunda maneira · Dar tempo

Dar tempo, com aquilo que sabes fazer bem.

Candidatas-te e dizes três coisas: o que sabes fazer bem, quantas horas tens de forma realista, e o que te faz sentido. A partir daí procuramos um projecto onde essa competência resolva algo que está travado, e escrevemos o resultado esperado antes de começar. Se não houver esse projecto, dizemos-te e ficas em espera, em vez de irmos inventar trabalho decorativo para justificar a tua boa vontade.

A parte que mais surpreende quem chega é perceber a escala do que já foi feito sem ela. Uma associação que acompanha 340 famílias com o orçamento de uma campanha de redes sociais tem uma competência operacional que não se aprende em nenhum escritório. Quem entra vai ensinar alguma coisa e vai aprender outra, e a ordem dessas duas troca-se várias vezes dentro do mesmo projecto.

O que fazes
Candidatas-te com a tua competência e com o tempo que realmente tens, sem arredondar para cima.
O que acontece a seguir
Emparelhamos com um projecto concreto, com um resultado escrito e uma pessoa da organização como par. Trabalha-se lado a lado, e a decisão final é sempre de quem conhece o terreno.
O que muda para alguém
318 pessoas chegaram ao fim de um trabalho combinado. O que sai daí tem forma: relatórios entregues a tempo, sites que passam a existir, meses de contabilidade que fecham em horas em vez de dias.
Terceira maneira · Construir

Construir uma peça, e receber dinheiro por ela.

Esta é a porta que ninguém percebe à primeira, e vale a pena ler devagar, porque é aqui que o modelo desta casa deixa de ser uma ideia bonita e passa a ser mecânica.

Alguém da comunidade escreve um workflow ou uma automação, uma forma de fazer um trabalho que ainda não estava no catálogo. A peça passa por revisão, corre com um negócio real, e se aguentar esse teste entra na oferta da Unprofit ao lado dos módulos que já lá estavam, com o nome de quem a escreveu.

A partir desse momento a mesma peça faz duas coisas ao mesmo tempo. Um negócio com fins lucrativos compra-a e paga por ela todos os meses, e quem a escreveu recebe 20 % de cada venda, enquanto essa subscrição se mantiver. Uma organização de impacto usa exactamente a mesma peça, sem pagar nada por ela.

Vale fixar de onde vem esse pagamento, porque é o ponto que se lê ao contrário com mais facilidade. Quem paga o autor é o negócio comercial, do outro lado do catálogo. Do lado da organização de impacto não sai um euro, e o dinheiro também não vem de um fundo de donativos. A peça paga-se a si própria de um lado e é entregue de graça do outro, e as duas coisas acontecem ao mesmo tempo porque o dinheiro corre numa direcção só.

Nas contas isto aparece como custo, na linha «Pago a autores da comunidade», antes de se falar de lucro, exactamente como qualquer outro fornecedor. Foram 170 000 € num ano, para 63 autores. Há peças escritas por mais de uma pessoa, e por isso os autores pagos são mais do que os 41 workflows no catálogo. A média anual dá 2 698 €, com muita distância entre o topo e a base: para uns é um rendimento que conta ao fim do mês, para outros é um jantar fora.

Também vale dizer o que não entra. Foram propostos 96 workflows e ficaram 41. Uma peça que não resolve um trabalho de um negócio a sério fica de fora, com a razão escrita para quem a propôs. É desagradável de receber e é a única forma de o catálogo valer o que se paga por ele.

O que fazes
Escreves um workflow ou uma automação que resolve um trabalho concreto, e propões.
O que acontece a seguir
Revisão, teste com um negócio real, entrada no catálogo com o teu nome na peça. Depois disso, 20 % de cada venda, mês após mês, sem voltares a tocar-lhe.
O que muda para alguém
Ganhas rendimento recorrente por trabalho que fizeste uma vez, e as 412 organizações ficam com uma ferramenta nova que ninguém teve de lhes doar.
Quarta maneira · Apadrinhar

Apadrinhar um módulo, para uma organização com nome.

Há uma coisa que esta casa diz sem contornar: não se consegue financiar tudo. Estão 948 módulos activos em organizações que não pagam. A operação cobre 618 deles, dentro dos custos do ano. Os outros 330 existem porque alguém, de fora, decidiu pagar um módulo específico para uma organização concreta o usar.

A forma mais simples de explicar isto é com a frase de quem o faz: pago 199 €/mês para a Pontes de Bissau poder estar presente nas redes. Um módulo, uma organização, o preço de tabela desse módulo. O dinheiro vai para a subscrição daquela organização e para mais nada.

O padrinho sabe o nome da organização, e a organização sabe quem paga aquele módulo. Como um módulo produz coisas, o padrinho recebe o que ele produziu: as publicações que saíram, os relatórios que foram escritos, o mês que fechou. Tem nome nas duas pontas, o que faz do apadrinhamento a maneira mais verificável de entrar aqui, e a mais difícil de transformar em conversa vaga.

São 296 padrinhos para 330 módulos, o que quer dizer que há quem pague mais do que um. Há também empresas que apadrinham uma organização inteira, e pessoas que juntam três ou quatro amigos para pagar um módulo em conjunto.

O que fazes
Escolhes uma organização e um módulo, e pagas o preço de tabela desse módulo, todos os meses.
O que acontece a seguir
O módulo é activado nessa organização no mês seguinte, e passas a receber o que ele produz.
O que muda para alguém
Uma organização ganha uma ferramenta que estava fora do seu alcance, sem esperar pela vez na fila do orçamento do ano.
O ciclo fechado

O circuito inteiro, em seis passos.

As quatro portas parecem quatro histórias separadas até se ver o circuito de uma vez. Lido de seguida, percebe-se que cada passo tem um pagador e um recibo, e que nenhum deles depende de generosidade para acontecer no mês seguinte.

  1. 01

    Alguém da comunidade escreve um workflow e ele passa a revisão.

  2. 02

    Um negócio pequeno paga para o usar, entre 79 € e 249 € por mês.

  3. 03

    Quem o escreveu recebe 20 % de cada venda, todos os meses em que essa venda se repete.

  4. 04

    O que sobra depois de custos, salários e do tecto de retirada junta-se às contribuições e aos apadrinhamentos.

  5. 05

    Uma organização de impacto usa o mesmo módulo e não paga nada por ele.

  6. 06

    Essa organização começa a ter receita própria e deixa de viver de candidatura em candidatura.

O passo seis é o único que não controlamos, e é o que interessa. Uma organização com receita própria deixa de precisar de nós, e essa é a única definição de sucesso que esta casa aceita.

A mesa como regra

Toda a gente tem algo a ensinar.

«Toda a gente tem algo a ensinar.»

A frase é do José, um dos três sócios, e é anterior à empresa. Ficou como regra da casa porque tem uma consequência prática que obriga a esta forma de trabalhar: se é verdade, então uma mesa em que uns falam e os outros agradecem está simplesmente mal montada.

O fundador em Nampula que faz chegar sementes, rega e formação a 1 200 famílias com um orçamento que não pagaria uma campanha sabe coisas sobre operação e escassez que não se aprendem em nenhum escritório. A designer em Berlim sabe pôr uma marca de pé em três semanas, com uma clareza que levaria meses a alguém de dentro. A padaria em Braga, que paga a subscrição e com isso sustenta as outras duas, sabe o que é ter onze pessoas a viver do que se vende amanhã. Os três sentam-se de frente por razão lógica: cada um tem aquilo que falta aos outros dois.

É por isso que aqui a palavra beneficiário não se usa, e a palavra voluntário serve para descrever quem entra sem descrever a relação. Quem contribui não é herói e quem recebe não é vítima. São duas pontas de um trabalho que só existe se as duas aparecerem, e há projectos em que a organização ensinou mais à comunidade do que o contrário.

Nada disto nos torna melhores do que ninguém. É a forma de trabalhar que escolhemos, e a única prova dela que aceitamos são as contas, publicadas todos os meses em transparência.

Entrar

Escolhe a porta, escreve um email.

Não há formulário nem processo de candidatura com sete écrãs. Cada botão abre um email com as perguntas já escritas, para que a primeira resposta chegue com matéria em vez de boas intenções. Responde-se a todos, e responde-se também a quem decide não avançar.

Para construir e receber por uma peça, o caminho está na terceira maneira, com as perguntas próprias dessa porta.

Antes de dares dinheiro a quem quer que seja, vê as contas. E se a pergunta que ficou for quem está por trás disto, a resposta está em sobre nós.